Jurídico com DNA preventivo: o advogado viabilizador da indústria 4.0

Grande parte do segmento industrial tem se debruçado em iniciativas para possibilitar de maneira mais eficiente a implementação da indústria 4.0. Procurando minimizar obstáculos e absorver o maior número de oportunidades, saem na frente empresas que conseguem se organizar e se preparar estrategicamente para o novo cenário. Cientes do recente panorama, muitos advogados assumiram o relevante papel de atuar, não somente como prestadores de serviços jurídicos, mas também como parceiro de negócios de seus clientes. Nasce, então, o que chamamos de um novo conceito jurídico, um conceito mais proativo, mais próximo da empresa, mais sustentável e mais consciente dos problemas e dificuldades enfrentados pelos segmentos em geral.

Com auxílio de novas tecnologias, o jurídico passa a desenvolver o que chamamos de gestão de contencioso, cuja técnica é conhecida pelo seu potencial de transformar dados brutos em indicadores relevantes ao core business. Basicamente falamos de Informações processuais organizadas e estruturadas que traduzem decisões mais sustentáveis e conscientes à empresa. Portanto, passamos a assumir o papel de jurídico viabilizador; ou seja, ainda continuamos a nos preocupar com as teses jurídicas (naturalmente!), mas, também, colocamos sob nosso holofote grandes problemas institucionais. O advogado pode e deve ser peça viabilizadora para resolver grandes questões relacionados à indústria 4.0!

Muito tem se discutido sobre a automação no segmento industrial e, apesar de ser necessária certa ponderação sobre o tema, é certo que atividades rotineiras serão realizadas de forma autônomas por robôs (individualmente ou em colaboração com o ser humano).  Diante disso, algumas premissas e restrições aparecem inevitavelmente no centros dos debates: “Como iniciar o processo de automação? O que deve ser priorizado?”.

Sabe-se que muitas são atividades perigosas e insalubres nas indústrias, e que estas atividades, se bem mapeadas com o auxílio do jurídico, podem se tornar uma relevante estratégia para início do processo de automação na empresa. O novo papel do advogado se encarrega, justamente, em mapear e auxiliar nessas importantes estratégias do dia a dia.

Nessa linha, advogados, especialmente os trabalhistas, passam a monitorar não somente os resultados de decisões judiciais, mas também começam a se preocupar a fornecer à seus clientes mapas mais fiéis de plantas e filiais em tempo real. Viram foco de monitoramento jurídico, por exemplo, qual setor da empresa tem recebido laudos periciais desfavoráveis, quais funções são mais lesionadas e como doenças ocupacionais afetam a área de produção e qualidade. Tudo isso poderá ser revertido em alterações e melhorias nos processos internos da empresa, ou seja, a automação deixa de ser um desafio apenas da indústria e passa a ser uma nova oportunidade de atuação para os advogados que se identifiquem com este novo modelo jurídico.

Proporcionar a implementação da automação também significa gerar uma quantidade muito maior de dados. Assim, mais um desafio nos aproxima da indústria 4.0. Atualmente, há uma necessidade emergencial de simplificar informações jurídicas, tornando-as acessíveis a todos os setores da indústria.  Informações claras e objetivas se convertem necessariamente em tomadas de decisões mais eficientes e aumentam a chance de soluções mais assertivas e rápidas, novamente convergindo interesses da moderna advocacia e indústria 4.0.

Enfim, para enfrentarmos o que o futuro nos reserva, será necessário muita transpiração, uma profunda mudança de mindset e um alto poder de adaptação. Será, além disso, principalmente indispensável atuações multidisciplinares. Envolver o jurídico em grandes questões operacionais é entender que nossa maneira de atuação mudou em prol dos negócios e das novas tecnologias. Então, vamos ao novo!

 

Francine Portugal Gonçalves – Sócia atuante na área de Gestão de Contencioso no escritório Lima Junior, Domene e Advogados Associados.