O STJ vai redefinir o distrato imobiliário e o LJCF está na linha de frente desse debate

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7 abr 2026 | Leitura: 2 min.

A afetação de temas ao Superior Tribunal de Justiça não é um movimento trivial. Quando ocorre, é porque há algo mais profundo em jogo: a necessidade de o sistema jurídico definir, com precisão, os limites de determinada relação econômica.

É exatamente o que se observa na controvérsia envolvendo a aplicação da Lei do Distrato (Lei nº 13.786/2018) e os critérios de restituição de valores em contratos rescindidos sob sua vigência.

No caso recentemente admitido como representativo de controvérsia, conduzido pelo LJCF, reconheceu-se que a matéria demanda enfrentamento qualificado pelo STJ, o que evidencia não apenas a recorrência do tema, mas, sobretudo, a sua relevância estrutural.

E aqui está o ponto central: a discussão sobre distrato imobiliário nunca foi apenas sobre “quanto devolver”.

Ela envolve, na essência, a definição de como o ordenamento jurídico pretende equilibrar três vetores que nem sempre caminham juntos: a proteção do adquirente; a viabilidade econômico-financeira dos empreendimentos e a estabilidade das relações contratuais

A Lei nº 13.786/2018 (Lei do Distrato) surgiu justamente como tentativa de estabilizar esse cenário. Mas a experiência prática mostrou que a positivação não foi suficiente para eliminar divergências relevantes, especialmente na aplicação concreta dos percentuais de retenção e na interpretação das cláusulas contratuais.

O resultado é um ambiente de insegurança jurídica que afeta diretamente a estruturação de novos projetos, a precificação de riscos e a própria dinâmica do mercado imobiliário.

Por isso, a definição que vier a ser consolidada pelo STJ não terá impacto apenas nos casos em curso. Ela influenciará a redação de contratos futuros, a modelagem econômica de incorporações e a estratégia contenciosa de todo o setor

Esse é o tipo de discussão que revela uma mudança importante no contencioso imobiliário brasileiro. Ele deixa de ser reativo e passa a ocupar um espaço estratégico, no qual decisões judiciais moldam, de forma concreta, o funcionamento do mercado.

Seguiremos acompanhando de perto a evolução do tema. Porque, mais do que um debate jurídico, trata-se de uma definição sobre como o sistema lida com risco, previsibilidade e confiança nas relações imobiliárias.

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